ANAC dá o ok ao primeiro aeroporto privado para aviação executiva no Brasil

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Moreira Franco and Marcelo Guaranys
Em cerimônia no mês passado autorizando a construção e operação do aeroporto executivo privado do Brasil, o ministro da aviação civil do país, Moreira Franco (à esq.) assinou a aprovação junto ao presidente da ANAC Marcelo Guaranys.
August 9, 2013, 9:10 AM

O primeiro aeroporto privado para a aviação executiva no Brasil recebeu aprovação governamental quando o ministro da aviação civil Moreira Franco assinou a autorização em 25 de julho em cerimônias em São Paulo.

A aprovação chegou pouco mais de seis meses após a presidente brasileira Dilma Rousseff assinar um decreto permitindo a construção e operação privada de aeroportos, um decreto que também libera a cobrança de taxas para operações de pouso e decolagem. Anteriormente, aeroportos privados só poderiam cobrar aluguel de manutenção e espaço de hangar.

O aeroporto, inicialmente identificado como Aeródromo Privado Rodoanel, está sendo desenvolvido pela Harpia Logística, uma empresa formada para este propósito pelos sócios Fernando Augusto Botelho e André Skaff, junto aos sócios minoritários Sílvio Gonçalves Perreira e Oswaldo Sansone Rodrigues Filho.

Situadas em 1.000 acres de uma das últimas grandes áreas abertas dentro da cidade, as duas pistas do aeroporto, cada uma com 1.830 metros de extensão, serão colocadas em posição quase paralela ao Aeroporto de Congonhas nas proximidades, para facilitar a aproximação do tráfego e o planejamento de partidas. As pistas serão mais longas que as de Congonhas, e do que a pista única do Aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro.

Segundo Fernando Botelho, o local, no distrito de Parelheiros a apenas 24 quilômetros do Aeroporto de Congonhas, se destaca pela proximidade com a área comercial de São Paulo e fácil acesso ao Rodoanel. Uma saída exclusiva na rodovia para o aeroporto está em estudo. Botelho é filho de Fernando de Arruda Botelho, ex vice-presidente da Camargo Corrêa, empreendedor, piloto e um apaixonado incentivador da aviação. (O Botelho mais velho faleceu em abril de 2012 na queda de um T-28 próximo a Ityrapina, Brasil.)

Botelho também mostrou que o aeroporto será na região de Parrelheiros, “a região com o menor IDH (Indicador de desenvolvimento humano) na cidade de São Paulo. Vai desenvolver esta área e gerar entre 5.000 e 9.000 empregos, direta e indiretamente.”

A aprovação da Força Aérea Brasileira SRVP (Serviço Regional de Proteção ao Vôo) foi recebida em 2011. Solicitações de licença ambiental foram realizadas um ano atrás, e o grupo agora trabalha na licenças municipais necessárias.

A infra-estrutura do aeroporto incluirá um terminal de aviação executiva, heliportos e uma série de conjuntos de hangares conectados por pistas de táxi, algumas com duas vias para facilitar o trânsito em solo nos horários de pico. Espera-se que o aeroporto opere 24 horas por dia, nos sete dias da semana; inicialmente com IFR (regras de voo por instrumentos, na sigla em inglês) de não precisão, mas as pistas de pouso e táxi estão sendo construídas com largura e aprovações para permitir a eventual adição da aproximação ILS (sistema de pouso por instrumentos, na sigla em inglês).

A pista de pouso e os hangares iniciais devem estar prontos para utilização até o final de 2014; possivelmente em setembro.

Enquanto a Copa do Mundo da FIFA e suas exigências da aviação executiva já serão história até lá, neste momento, faltará menos de dois anos para as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro e esta pode apresentar ainda mais desafios.

15.000 Aviões a Mais no Brasil

Não são apenas os eventos especiais que estão conduzindo a demanda por mais aeroportos no Brasil, como notou o Ministro Franco na cerimônia de assinatura. “Há 16.000 aviões no Brasil, mas apenas 500 destes são aeronaves comerciais.” E continuou, “Há uma necessidade de recuperar o tempo perdido e compensar décadas de baixo investimento.”

As privatizações dos aeroportos de Confins em Belo Horizonte e do internacional Galeão no Rio de Janeiro, são esperadas para setembro. Franco antecipa que estas privatizações devem obter o mesmo sucesso das privatizações dos aeroportos de Cumbica e Viracopos, ambos em São Paulo. Eles estão em gerenciamento totalmente privado desde o início do ano. Na esteira das privatizações de aeroportos, o governo está determinado a “trazer operadores pesos pesados de aeroportos do exterior,” disse Franco.

Aeroportos representam o meio de transporte que cresce mais rápido hoje, disse o governador Geraldo Alckmin de São Paulo. Ele acrescenta que, já foi vital que cidades fossem localizadas perto do mar, depois perto de rios, ferrovias, rodovias e “hoje, são aeroportos.”

Várias das autoridades presentes na assinatura elogiaram os “jovens e dinâmicos” sócios no projeto do Aeroporto Rodoanel. André Skaf, filho do presidente da FEISP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) Paulo Skaf, e Fernando Botelho, ambos com 32 anos.

Silvio Perreira, sócio minoritário no desenvolvimento do aeroporto, explicou os curiosos conjuntos de hangares. “O aeroporto foi desenhado para um mínimo de movimento nas terras e para proteger todos os elementos identificados no estudo de impacto ambiental como importantes,” ele explicou. “Esse respeito pelo relevo existente significa que longas pistas de táxi serão necessárias para alcançar o plano de 33 a 37 hangares, que devem ser construídos de acordo.”

Pelos cálculos dos sócios, as áreas de hangar e pátio, com um total de 5.2 milhões de pés quadrados, poderá acomodar até 600 aeronaves.

O investimento total está estimado em R$1 bilhão. O jornal O Estado de São Paulo, publicou que a Harpia Logística está procurando investidores estrangeiros de capital próprio para o projeto.

Conflito Mínimo com Congonhas

ANAC president-director Marcelo Guaranys evaded questions regarding the impact of the new Rodoanel field on Congonhas Airport. He did point out that Congonhas can handle 40 to 50 operations per hour, and currently there are 34 pre-scheduled slots per hour: 30 for commercial and four for general aviation. But he denied there are plans to move business aviation away from Congonhas. On the other hand, he admitted studies are being undertaken to possibly grant some business aviation slots there to commercial operators.

O presidente-diretor da ANAC Marcelo Guaranys evitou perguntas a respeito do impacto do novo campo do Rodoanel no Aeroporto de Congonhas. Ele apontou que Congonhas pode lidar com 40 a 50 operações por hora, e atualmente há 34 espaços pré-agendados por hora: 30 para a aviação comercial e quatro para a aviação geral. Mas ele negou que há planos para retirar a aviação executiva de Congonhas. Por outro lado, ele admitiu que estudos estão sendo feitos para possivelmente ceder alguns espaços da aviação executiva de lá a operadores comerciais.

“O Aeroporto de Congonhas opera em sua capacidade e realocar alguns espaços da aviação executiva para a aviação comercial irá permitir que a quantidade de passageiros servidos seja aumentada sem aumentar a quantidade total de voos,” Guaranys explicou.

Os sócios da Harpia Logística estão agora consultando com as agências responsáveis para permitir que o novo aeroporto receba voos internacionais. A situação atual é que jatos executivos internacionais que chegam, com frequencia não podem estacionar no Aeroporto Internacional de Guarulhos em São Paulo devido ao limitado (ou proibitivamente caro) espaço de pátio. Portanto eles aterrissam, passageiros e tripulação passam por imigração e alfândega, e depois a aeronave deve ser transportada a outro aeroporto, após ter utilizado um espaço de pouso e um de decolagem no já congestionado aeroporto internacional.

André Skaf disse que passaram-se dois anos desde o lançamento do projeto do Rodoanel, e desde então os sócios têm trabalhado numa solução para a aviação geral em São Paulo. Nos disseram que era um sonho, que já havia sido discutido muitas vezes antes, mas nada de concreto jamais havia acontecido.”

O vice-presidente do IBAC (Conselho Internacional da Aviação Executiva, na sigla em inglês), Rui Thomaz de Aquino garantiu aos ouvintes na assinatura, “Este será um aeroporto internacional, e é onde jatos executivos virão. É para isso que foi concebido, e é para isso que ele nasceu, aqui, hoje.”

O aeroporto Rodoanel, concluiu Marco Túlio Pellegrini, v-p da Embraer Jatos Executivos, não será bom somente para a aviação executiva, “será bom para o país.”

 

 

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